terça-feira, 21 de setembro de 2010

Deu em O Globo: Roseana deixa de ser Sarney e cola em Lula e Dilma

Por Evandro Éboli (enviado especial)

SÃO LUÍS – Nome que batiza ponte, avenida, praça e até uma cidade no Maranhão, o senador José Sarney (PMDB-AP) está ausente nas eleições no estado este ano. A filha e governadora Roseana (PMDB) aboliu o sobrenome Sarney na campanha à reeleição. Não é feita qualquer referência ao ex-presidente nos comícios, no programa de TV ou no material de propaganda. Ao menos publicamente, Sarney está distante do embate, o primeiro desde que estourou o escândalo dos atos secretos no Senado, em 2009.

Roseana colou sua imagem à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Os dois estão no jingle, em todos os cartazes e o tempo inteiro na TV: “É o arrastão da Dilma, do Lula e da Roseana”, diz a propaganda eleitoral.
Jackson usa ator fantasiado para lembra senador

Sarney evita a campanha, mas a oposição não o esquece: ele é lembrado em seus programas eleitorais. O ex-governador Jackson Lago (PDT), cassado ano passado e novamente candidato, exibe no horário eleitoral a performance de um ator caracterizado como o senador, que sai em defesa da filha, e critica quem o acusa de pintar o bigode. “Nenhuma família é melhor do que a sua”, afirma Lago, em seguida. “O Maranhão não tem dono. Vamos vencer a oligarquia”, diz Dino, no programa do PCdoB, referindo-se ao senador Sarney.

Num comício em Codó, a 300 quilômetros da capital, São Luís, no domingo, Roseana acusou os adversários de apelarem para baixarias:

- Quero que vocês me defendam. Vocês têm argumentos para me defender – afirmou a governadora, em rápido discurso, após pousar em Codó num jatinho King Air de sua campanha.

Temor de governadora é disputa no segundo turno

A briga agora é para levar a eleição para o segundo turno, o que Roseana quer evitar. A governadora vai tirar licença de uma semana do cargo para intensificar a campanha. Ela sabe ser inevitável uma aliança entre Lago e Dino, se não vencer em 3 de outubro.

Em pesquisa do Ibope, da semana passada, Roseana aparece na liderança, com 46%. Há empate entre Dino e Lago, ambos com 21%.

- Não conversei com Flávio Dino sobre isso, mas não há dúvida. Estaremos juntos. Aqui você é Sarney ou anti-Sarney – disse Lago.
Sarney é do Amapá, diz assessor de Roseana

O chefe de comunicação da campanha de Roseana, Sérgio Macêdo, negou que o senador seja omitido nos programas para não prejudicar a filha. Ele argumenta que Sarney não aparece por não ser um político do Maranhão, mas do Amapá. Disse que o fato de não aparecer em horário eleitoral ou comício não significa que Sarney esteja fora da campanha. A assessoria de José Sarney, no Senado, foi procurada pelo GLOBO, mas não houve retorno do senador.

- Sarney sempre é consultado quando há necessidade. Ele não está excluído. É um conselheiro. A Roseana nunca negou que seja filha do Sarney e sempre usou somente o primeiro nome nas suas campanhas, desde 1990. Agora, o nome dela não é Roseana Filha de Sarney – diz Macêdo.

Roseana não economiza na campanha. É visível a diferença de sua estrutura para a dos concorrentes. Tem mais carros de som, bandeirolas e cabos eleitorais. Além do jatinho e de um helicóptero a seu dispor. Na prestação parcial de contas ao TSE, ela declarou receita de R$ 4,4 milhões, contra R$ 736 mil de Dino e R$ 105 mil de Jackson.

Ministros de Lula gravam para Flávio Dino (PCdoB)

O apoio do PT a Roseana é controverso e determinado por uma intervenção do comando nacional do partido. No voto, o PT do Maranhão havia aprovado adesão ao deputado federal Flávio Dino (PCdoB). Lula e Dilma gravaram depoimento para Roseana. “Você não deixaria de atender um pedido de Lula, não é mesmo? Por isso, vote Roseana”, emenda o locutor.

Apesar de PT, Lula e Dilma estarem com Roseana, os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Luiz Paulo Barreto (Justiça), além do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), gravaram depoimento de apoio a Dino. O comunista se apresenta como único candidato que pode mudar o Maranhão e também manter boas relações com o governo federal, por ser de um partido aliado do governo Lula.

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